"A ODISSÉIA" ESCAPA DE VIRAR UM CAVALO DE TRÓIA
- Moura Cesar

- há 2 horas
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Se adaptar um autor moderno como Tolkien e seu clássico "O Senhor dos Anéis" já foi considerado um trabalho herculíne ou, em outras palavras, só para um Peter Jackson da vida, imagina a responsabilidade de adaptar um dos maiores clássicos da história da Humanidade do mundo Ocidental como "A Odisséia" de Homero em plena Era Tik Tok. O homem com força para desafiar os Deuses do cinema e da literatura não poderia ser outro do que aquele que transformou o homem que criou nada mais, nada menos que a bomba nuclear(!) num tipo de (anti)herói e ainda ganhou dois prêmios Oscar por isso: Christopher Nolan.
Mas engana-se quem achou que assinar a nova versão da luta de Odysseus para retornar para sua terra natal e para os braços de sua amada esposa seria o maior desafio de Nolan: Errado. O maior tiro no pé de "A Odisséia" (2026) que estréia neste dia 16/07 no país foi a promoção e o marketing iniciados 1 ano antes de seu lançamento.

Foto: Divulgação
Durante grande parte de 2025 "A Odisséia" de Nolan já era vendido como o melhor filme de 2026, como o melhor filme de Nolan e o grande favorito do Oscar 2027. Com o respeito e o network do cineasta construídos em Hollywood - e conhecendo bem o Oscar como hoje o conhecemos - não me surpreenderá ver "A Odisséia" como favorito na premiação do ano que vem, mas uma coisa posso afirmar depois de passar 3 horas na sala de cinema: "A Odisséia" não é o melhor filme de 2026 e muito menos o melhor filme de Nolan.
Durante os primeiros e sonolentos 25/30 minutos de filme, procuramos por quem nos identificarmos e torcer mas esse personagem não aparece. Sö lá pelas tantas que a história parece acordar com a bela imagem do Cavalo de Tróia sob as areias, Sinon (Elliot Page, como sempre, ótimo) e com o aparecimento de uma das primeiras criaturas míticas da trama. A partir daí, aos poucos o filme vai despertando, solidificando antagonistas e finalmente nos fazendo torcer pelo herói/protagonista Odysseus, vivido com paixão por Matt Damon, disparado a melhor coisa do filme. Ele sim merece uma indicação à estatueta dourada por sua entrega e comprometimento absoluto à seu protagonismo. Outro que está muito bem, apenas sendo eclipsado por Damon e Anne Hattaway muito bem como Penélope, esposa de Odyssues, é Robert Pattison que dá seu recado como o vilão Antinous.
Como é muito comum em filmes Hollywoodianos que conseguem juntar numa única produção um elenco estelar, nem todo mundo brilha: Lupita Nyong'o está apagadíssima como a Helena de Tróia sem jamais mostrar a que veio, Charlize Theron se esforçou mais em "Velozes e Furiosos 8" (2007) do que aqui como Calypso, John Bernthal como Menelaus repete o mesmo tom que usa em "O Justiceiro", Zendaya faz o mais do mesmo como Athena e Tom Holland como filho de Odysseus só se safa pelo seu inegável carisma.
Quem se defende bem é a sempre ótima Samantha Morton como Circe já que é aquele tipo raro de atriz para quem você dá 5 minutos de um filme de 3 horas e ela te entrega uma atuação de protagonista.
"A Odisséia" passa longe de ser um filme ruim já que conta com a direção sempre esmerada de Christopher Nolan e a atuação ótima de Matt Damon, mas comparo a experiência de assistir ao filme com uma cavalgada: Você começa trotando e quando finalmente corre a passos largos sob o cavalo, o passeio acaba. Um bom filme que escapa por pouco, mas escapa, de parecer um cavalo de tróia.






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