APESAR DO TÍTULO, UM BOM ENTRETENIMENTO
Mesmo recebendo uma das piores traduções dos últimos tempos como título, "Possuída No Deserto" (KIlling Faith, 2025) que parece nome de filme pornô dos anos 1990 não é um filme ruim, ainda que esteja longe de ser um filme memorável.
A história se passa no Arizona de 1859 onde a escrava recém alforriada e mãe devota Sarah (DeWanda Wise, numa interpretação mediana) planeja levar sua filha branca, uma menina meio "Carrie, a estranha" com poderes sinistros, para o curandeiro católico da cidade vizinha exorcizar, afinal, tais poderes não caíram bem num cidade dominada por uma misteriosa pandemia que deixa a todos com os nervos. a flor da pele. Para tal jornada ela contrata Bender (Guy Pearce, um excelente ator mas que aqui parece econômico demais, esquecível) o médico da comunidade que anda com popularidade baixíssima já que não consegue salvar a vida dos moradores adoecidos e vive bêbado para esquecer o trauma de um passado recente. A aventura ainda conta com o jovem Edward (o ótimo Jack Alcott) ajudante de Sarah.

Claro que no caminho o quarteto encontra com tipos perigosos e exóticos que - como a própria "criança endemoniada" - testam a fé de todos os envolvidos. Como eu disse, "Possuída no Deserto" não é um filme ruim e entretem, mas só parece começar para valer com a chegada do curandeiro Ross (Bill Pullman excelente em um dos seus melhores trabalhos nas telas) que trata diretamente sobre o tema central do filme que não é fé, mas o eterno dilema sobre o que é Bem e o que é Mal.
O filme mistura elementos clássicos do faroeste com o que hoje os críticos hipsters chamam de "terror psicológico" (que nada mais é que um suspensezinho) e Ned Crowley diretor e roteirista se sai melhor no suspense que no faroeste.
"Possuída No Deserto" valeria o preço do ingresso que se paga hoje nos cinemas? Não. Mas é bom e esquecível entretenimento no streaming.






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