• Caesar Moura

DE ESTRANHO, SÓ O CLIMA DE REBOOT

Lançada em 2016 pela Tia NETFLIX e concebido pelos THE DUFFER BROTHERS, “STRANGER THINGS” (ST) caiu nas graças do público (principalmente o brasileiro) de imediato: Foi amor a primeira vista. Mas como não?


Copiando descaradamente filmes clássicos e queridíssimos dos anos 1980 (“E.T”, “Aliens”, “Ghostbusters”, “Mulher Nota 1000”, "It”, “Contatos Imediatos do 3º Grau”, esse último dos anos 1970!, só para citar alguns títulos), a série conseguiu um feito incrível: Agradar as Gerações X, Millenials e Z ao mesmo tempo! As Gerações X e Millenials seria algo “previsível” já que a primeira viu todos esses filmes no cinema e segunda cansou de ver e rever na Sessão da Tarde ou no Supercine da vida: Mas a Geração Z? Uau.


Diferente de todas as gerações anteriores, a Geração Z menospreza o presente, como se o agora fosse um videozinho de 15 segundos de propaganda que a gente deixa rolar para desbloquear a função de um aplicativo que jamais pagaremos para ter, uma coisa que fica ali em segundo plano, não merecedora de muita atenção. Mas eles parecem amar a segurança de revisitar o passado, tentando muda-lo, “corrigi-lo” a todo momento (como na tentativa patética de cancelar “E o Vento Levou…”!!!), tentando torna-lo ainda “mais perfeito” (como se tivesse sido). Natural então a paixão pela velha história sobre ritos de passagem, amadurecimento, no caso de ST, temperado com universos paralelos, alienígenas e superpoderes.


Mas ST não vive de "copiar", a série tb traz novidades, e uma delas foi, inquestionavelmente, o carisma e talento de Millie Bobby Brown, então com 11 anos, como a inesquecível Eleven que carregou a primeira temporada nas costas e foi principal razão do sucesso da série.

Mas crianças crescem. Histórias envelhecem. O mundo muda. E rápido.


FOTO: DIVULGAÇÃO


Foi com esse misto de sentimentos que, num mundo “pós-COVID”, chego ao fim da primeira parte da 4º Temporada (a 2º Parte estará disponível a partir dia 01 de Julho!) de ST. E sob esse impacto troco algumas questões que ficaram na minha cabeça:


Primeiro: Que inteligente terem “reduzido” o tempo de exposição da Millie! A menina cresce e se recusa a ser adolescente (como se o sucesso prematuro a forçasse a pular da infância para o mundo adulto) na vida “privada”. Sua aparição no material promocional de lançamento da nova temporada foi assunto na Rede com fãs assustados com a aparência envelhecida da atriz que nas entrevistas assume um tom de voz grave, uma fisionomia séria, um look 10 anos mais velho que ela, enfim, tudo menos o despojamento que comumente vemos - e esperamos - em alguém de 18 anos. E sim, isso impactou negativamente sua atuação que só se salvou nos 2 últimos episódios dessa Parte 1 onde voltamos - Amém! - a ver nossa “velha” amada Eleven de volta;


Segundo: O clima de reboot do primeiro episódio dessa 4º Temporada foi levemente incomodo no loooooongo episódio de estréia. Pra mim tinha ficado MUITO claro q não se tinha muito mais para onde ir com aquela história de “UpSideDOwn world”, mas é isso que esperamos dos roteiristas, não? O impossível tão bem escrito que parece crível? Mas optaram por jogar Eleven - e a gente com ela, claro! - numa escola classe média e - Meu Deus! - vítima de bullying (como se tudo que ela passasse pra salvar o planeta não fosse o suficiente, num clima levemente de terror gore), rodeada de tantos novos personagens que por vezes me perguntava “Isso é um sonho dela? Quê isso?”, algo meio surreal, do tipo: O que foi que eu perdi?! Rs Lá pelas tantas a gente entende que decidiram “quase” zerar o cronometro pq iriam apresentar o Vecna, novo vilão (uma mistura visual de Hellraiser com Monstro do Pântano) da Season. Me soou preguiçoso (pow tiveram 3 anos quase pra escrever e produzir essa temporada);

Terceiro: Enquanto a Netflix promove em suas Redes que os atores cresceram, do tipo, “parem de me encher o saco com seu puritanismo barato cambada de assinantes que pagam os nossos salários” ao MESMO TEMPO, em que na série a embocadura desses mesmos atores,na maioria das vezes, soe artificialmente infantil, como se eles tentassem “imitar” suas próprias vozes das primeiras temporadas o que causa um leve um ruído, agravado pela decisão duvidosa de deixar grande parte da comédia nas mãos de Wynona Ryder e Murray Bauman. Murray se sai melhor, mesmo que apelando pro humor físico, mas Wynona parece completamente dessonante. O resultado são os momentos mais constrangedores da nova temporada, que só perde para o cinismo da Netflix e dos Duffer Brothers em se recusarem a tirar o personagem Will (o fofo Noah Schnapp que, depois de Millie, Sadie Sink e o tesudo do David Harbour, é o melhor ator da série, segurando muito bem as cenas dramáticas difíceis de serem feitas até para veteranos) no armário (ou pior, deixar pro último segundo, uma falinha ali e pronto só “pra não dizerem que somos homofóbicos”), uma pena! Will é, depois de Eleven, o personagem mais complexo da série juntinho com Max (Sadie Sink)! Sua sexualidade, seu gênero, a ausência do Pai, a alienação dos melhores amigos, nossa, daria pra ter desenvolvido tanta coisa! E depois os puritanos somos nós, os assinantes, né? Rs

Quarto: Deve existir algo de errado em uma série dramática de ficção para adolescentes e não musical ser lembrada quase que exclusivamente por uma música dos anos 1980 (a viciante e melancólica “Running Up That Hill” de Katy Bush, hoje com mais de 60 anos e extasiada com o sucesso “tardio” e merecido) cujo maior posição na Billboard da época foi a 30º posição (!), numa ação milionária de marketing junto a influencers do Tik Tok, não? Rs

Mas vamos deixar tudo isso para os filhos da Geração Z resolverem e cancelarem no futuro? Pq por hora, mesmo com sinais visíveis de cansaço, ST é daquelas séries que a gente simplesmente quer que nunca acabe. Que venha a 2º Parte!!!!




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