• Caesar Moura

FEITOS PARA MILHÕES DE SEGUIDORES, MAS NÃO PARA ESTÁDIOS DE ESPECTADORES

E eu que achei que pior que a Katy Perry (AMO os hinos, mas fui em dois shows e sim, posso falar por opinião que sobra carisma e falta talento) ao vivo, impossível: Que ingênuo! Rs


Mas vamos começar do começo: 1989. Esse foi o ano que saí da Xuxa, Trem da Alegria e Balão Mágico (ídolos infantis do final da década de 1980) e caí na Madonna, na época, a persona mais rebelde e criativa do Pop. Minha mãe odiou. A maioria das mães odiavam. Madonna era o novo, o novo é mudança e mudanças parecem sempre assustadoras. Jurei para mim mesmo que JAMAIS seria igual e de que na minha vez iria procurar acompanhar a cena musical moderna e de que NUNCA compararia com o passado.


Tolinho.


Comparações são inevitáveis ainda mais quando se descobre (geralmente depois dos 40) que TUDO é cíclico e, mesmo que fantasiado de novidade, geralmente fora a embalagem o conteúdo é o mesmo.


Mas calma! Não cedi de todo, Ainda acompanho a cena pop mundial com interesse e TENTO sempre não subestimar "o novo".


FOTO: LIL NAS X (DIVULGACÃO)



Venho acompanhando a carreira de alguns dos novos nomes da música Pop mundial (como Cardi B, Billie Eilish, Ariana Grande, Doja Cat, Lizzo, The Weekend e Lil Nas X, por exemplo) não só para acompanhar "as novidades" mas tb, como artista, entender quem são essas pessoas e o que elas acreditam ter o que falar.


Lil Nas X tem monopolizado minha atenção desde o lançamento do ótimo e subversivo clipe de "Montero: Call Me By Your Name" (2021), primeiro single do novo álbum do rapper que se assumiu gay em 2020 depois de ter a autoria de uma das músicas mais tocadas de 2019 ("Old Town Road"). No clipe de "Call Me By Your Name" Lil Nas faz uma criatura bíblica não-binária que após ser seduzida pela serpente vai a julgamento por ter provado da maçã (qualquer semelhança com Eva não é mera coincidência! Rs). Absolvido numa audiência pública celestial ele é então enviado aos céus (e é aqui que a coisa fica ainda melhor) mas eis que no caminho de subida ele muda de idéia, se agarra numa barra de ferro e desce aos infernos fazendo poledance. Achou que acabou? Não! Uma fez na terra do Capiroto, ele seduz o próprio com uma lapdance (dança erótica popularizada por stripers) matando Satã em pessoa e virando Rainha absoluta do inferno.


Com um clip desses transpirando criatividade, política, ousadia e subversão natural que eu estivesse curioso para ver sua primeira apresentação "ao vivo". Isso é comum da minha geração: É no palco que atestamos (ou não) a capacidade artística de um astro. Por isso a ansiedade. Vc quer saber se aquela persona é capaz de dar vida "no mundo real" àquela sensação provocativa causada pela audição da música ou pelo impacto visual causado pelo clipe.


Lil Nas se apresentou no último dia 24 em um dos programas mais tradicionais da tv americana, o Saturday Night Live (SNL), divulgando não só "Call Me By Your Name" como também seu Single recém-lançado "Sun Goes Down". E a decepção não poderia ser maior.


Lil Nas não dança (mais usa bailarinos!). Seus movimentos são lentos e seu corpo duro. Cada vez que ele teria de fazer um movimento de dança ele faz no lugar uma breve caminhada até a marcação: angustiante. Lil Nas usa base pré-gravada, ou seja, ele "canta" um estrofe e dubla o resto. Lil Nas não tem expressão, ele não parece capaz de personificar no palco os personagens que cria nos vídeos. Pra piorar a calça de Lil Nas rasga próximo ao final da apresentação - coisa que, pela câmera estar num plano geral e aberto não daria para notar não fosse a reação amadora do rapper - e ele não só se assusta como paralisa diante na marcação protegendo o rasgo com as mãos.


No dia seguinte ele mesmo se zoava nas redes sociais dizendo na legenda de um dos vários posts onde divulgou o print de sua reação no momento do rasgo: "Show must go on" (o show deve continuar). O problema é que ele não continuou, ele não só ressaltou o imprevisto como demonstrou ZERO capacidade de de fato contornar a situação como qualquer profissional sabe.


Lil Nas é conhecido nas redes por seu senso de humor millenial e por suas respostas rápidas e afiadas, sugerindo que sim, o menino atrás do clip de "Montero", teria culhão, personalidade forte: ATITUDE. Mas isso não se mantém fora das Redes. Quando "ao vivo", longe da segurança dos lugares fechados onde geralmente grava seus reels, seus vídeos para o Tik Tok (que o lançou), longe de seu grupo seleto de fiéis amigos, Lil Nas parece ainda mais jovem que é, ainda mais despreparado do que se espera: Faria ele parte da primeira geração de artistas feitos para as telas dos celulares mas não para os Estádios?


Nossa, que tarefa difícil querer se manter contemporâneo! Rs



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