• Caesar Moura

KILL THIS DOC

Atualizado: 28 de Out de 2020

“Kill This Love” era tudo que eu conhecia do fenômeno BlackPink, grupo de meninas (a maioria Coreana) na linha Spice Girls e que, assim como o BTS (grupo de meninos na linha N’Sync, mas de visual não-binário), arrasta milhões de fãs mundo a fora. Por isso o documentário “Light Up The Sky” (2020) da tia Netflix pareceu uma ótima oportunidade de finalmente conhecer esse grupo que me fez dançar e fazer carão tantas vezes na academia ou em casa durante a quarentena.


Bem, me enganei.



As únicas pessoas que se divertirão assistindo a uma propaganda publicitária de mais 1h e meia são os fãs. E só. Durante o Doc ficamos esperando o tempo inteiro alguma revelação emocionante ou picante e nada, pior, o momento onde as meninas (Lisa, Jennie, Jisoo & Rosé) mais se divertem - e parecem finalmente a vontade (e humanas) - é quando prepa- ram uma sobremesa de uvas verdes com açúcar caramelado(!). E estamos falando de jovens por volta dos 20 anos. Elas deveriam falar de garotos (ou garotas, why not?), moda, feminismo, carreiras, vida, diversão, fazer rmerda, mas tudo que fazem é parecer robóticas, programadas para soarem eternamente infantis e - pra mim - o mais triste: submissas.


NUNCA na vida assisti um documentário sobre um Artista onde o foco tenha sido os produtores! Imagina um documentário sobre o Michael Jackson onde a estrela seja o Quincy Jones ou um documentário sobre a Billie Eilish onde só o irmão dela fale? Foi mais ou menos por aí. Artista ressentido por ter existido numa época onde as redes sociais não ditavam tendências, “Teddy” (como é chamado pelas meninas num tom de endeusamento, pra mim, quase num clima de síndrome de Estocolmo) está a frente de uma empresa milionária que literalmente fabrica boys e girls groups em série. Tem quem largue seus filhos e filhas de 11 anos(!) na mão deles onde passarão anos num clima de semi-internato onde trabalharão por 13 dias seguidos, 14 horas por dia e com 1 dia de folga. Isso que eles chamam de treino pode durar até 1 década e, pasme, ainda assim a maioria fica pra trás, ou seja, treina por 10 anos, não deu pra encaixar num grupo?


Vc tá fora.


E são os resultados desse treinamento que vemos na tela: meninas cuja a única razão de existir é “provar que o investimento nelas valeu a pena” (uma delas fala isso no doc). Nada, nada mais. De real ali só a amizade delas. Mas como ser diferente? Elas só têm umas as outras, só convivem umas com as outras, isoladas num mundo estranho, particular e dominado por homens. A boa notícia é que os fãs não tem idade para saber diferenciar um sorriso de felicidade de um sorriso por necessidade, então para eles elas compõem as músicas (Rs), se divertem o tempo todo (Oi?), fazem o que amam (Será?) e vivem num sonho (Sério?). E sinceramente? Nesse mundo tão absurdo e violento, onde nada faz sentido, torço para que eles enxerguem o mundo assim pelo máximo de tempo que a Vida permitir:


A verdade sucks.


Dito isso, NINGUÉM fala mal da Lisa! É a minha favorita do grupo!


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