• Caesar Moura

MUNDO 3.0 - DEPOIS DO CORONAVÍRUS

Nova mutação da Coronavírus cientificamente chamado de CODIV-19 que fez suas primeiras vítimas em novembro de 2019 na China se alastra pelo mundo globalizado (e até então *quase* sem fronteiras) tornando-se uma Pandemia, um evento cataclísmico mundial matando milhares de pessoas e revelando a fragilidade do Sistema Econômico e a decadência de valores éticos e morais da sociedade atual.


Uso de máscaras obrigatório em muitas cidades, quarentena voluntária na maioria e estudo de lockdown (confinamento) em algumas poucas, proibição de aglomeração, sobrecarregamento dos serviços online, da rede elétrica, aumento de violência doméstica, depressão, apatia, negativismo, negação e irresponsabilidade consigo e com a Comunidade; aumento do desemprego, colapso das redes públicas, medo, desemprego, recessão, aniquilação da classe média (o mundo voltando a ser divido em dois blocos únicos - Elite x Povo - na ausência da classe mediadora entre esses dois universos antagônicos), mercados de trabalho agonizantes, a Elite se distanciando confinada em suas bolhas e só dialogando com seus iguais, o sexo promíscuo e autoflagelante voltando para o antigo lugar escuro e proibido e o urgente: o confronto consigo mesmo.


Sem distrações sobra o que é real. E deparar-se com a realidade não é para qualquer um.


MUITOS serão os desdobramentos dessa Pandemia a curto, médio e longo prazo, mas alguns já são possíveis de serem analisados e até mesmo de, a partir dessa análise, fazer algumas previsões bastante realísticas. 


Nesse primeiro post dessa série de - tentativas de - previsões, vou tratar da Indústria do Entretenimento e no quanto ele já começa a se adaptar aos tempos futuros, os futuros "novos tempos".


No dia 08 de abril a cantora brasileira Marília Mendonça foi a primeira a colocar os pés nesse território novo, ainda pouco explorado e definitivamente o futuro da Cultura: As Lives (transmissões ao vivo) transmitidas através das plataformas digitais. Sua Live bateu recordes ao acumular em 3 horas de show (a cantora é do gênero sertanejo batizado de "Sofrença") mais de 3,2 milhões de usuários conectados ao mesmo tempo e rendeu histórias curiosas como a do detento que teve seu celular descoberto enquanto postava da cadeia mensagens durante a performance da sertaneja.


Acontece que o que testemunhamos foi mais que um fenômeno, mas a constatação de que a Pandemia impõe novos hábitos, novos espaços e novas formas de expressar e acessar tanto dos produtos culturais quanto a Arte. Mudanças essas que vieram para ficar.


Museus ao redor do mundo, para seguirem o cronograma de suas exposições e eventos criaram visitas virtuais onde é possível ver de casa o que está no Museu; Cantores começam a rever suas agendas substituindo os comprometidos eventos ao ar livre programados para esse ano, substituindo-os por eventos online (as Lives, palavra da vez) patrocinados (falarei mais sobre isso em outro post, mas aqui já posso indicar uma das razões de que os Direitos do Consumidor, Direitos Autorais, impostos, arrecadação, cachê, valores de ingressos, formas de interação, tudo, tudo isso já está sendo revisto pelo Mercado); Atores transformando-se em Podcasters, YouTubers (outro mercado que mudará sensivelmente) na tentativa de se manterem vistos, a cobertura da Imprensa de Entretenimento tendo de repostar fotos de eventos glamourosos do ano passado ou tratando como notícia o cotidiano doméstico das celebridades (que a cada semana que passa, sem seu glam squad, vão sendo obrigadas a se (re)humanizar)... 


Dia desse criticaram Tori Spelling (ex-atriz da primeira versão de "Barrados No Baile") por cobrar (em reais) R$ 540,00 para falar numa Live com fãs, mas o fato é de que Tori, como boa americana, não perdeu a oportunidade de fazer dinheiro em meio a catástrofe, mas o fato é que, gostando ou não, esse será o futuro. Madonna ganhou 2 mil euros vendendo uma foto polaroid dela em sua última turnê (como se não bastasse os preços abusivos para área VIP e no caso de outras estrelas, mais dinheirama para tirar uma foto nos bastidores. Quanto vc acha que ela irá cobrar para fazer uma live exclusiva com um grupo de fãs ou até mesmo com um único fã? Imagina pagar 2 mil Euros para falar durante 2 minutos com sua PopStar de Estimação? Isso será possível.


Agora, já pensou no preço de um show ao vivo depois do Coronavírus? Sim, pq teremos os valores dos ingresso das Lives para comparar... Já existem Lives "proibidonas" (de sexo online) que cobram uma taxa aos usuários que desejam assistir. Mas uma das dúvidas é: Quem deixará de assistir uma Live personalizada com um grupo de amigos em casa, bebendo o q quer, indo no banheiro logo ali, podendo ficar a vontade e ir embora só no dia seguinte para gastar combustível ou um tempo precioso em transportes públicos. ficar no empurra-empurra com gente mal-educada, com risco de roubo, cercado de estranhos e assistindo ao show de longe ou pela tela do próprio celular?


Outro lado digno de atenção é o quanto a quarentena tem desnudado os novos artistas (Duo Lipa, Eilish, Drake, Lizzo, Sam Smith, Demi Lovato, The Weekend e etc). O silêncio e/ou o isolamento possibilitou um distanciamento que revelou a fragilidade dessas produções (feitas para durar 2 meses, para serem ouvidas sob efeito de Ecstasy e baladas lotada de gente doida pra beijar na boca) que não contemplam nenhum tipo de profundidade emocional. Não a toa esses últimos tem tido muita dificuldade de se manter interessantes isolados em suas mansões. Pabllo Vittar, gostando ou não, é hoje uma referência na música pop brasileira e demorou mais de 1 mês para se decidir por uma Live morna (mas patrocinada, claro! O dela já estava no bolso) e até o momento em que escrevo esse post se dedica a fazer vídeos de... tutoriais de maquiagem. O que difere Pabllo hoje de qualquer "blogueira de moda"? 


O cinema também não ficou para trás. Para felicidade da Netflix (que vem tentando isso há uns 4 anos), os líderes da Academia de Cinema Americana já oficializaram que filmes lançados em streaming (exclusivamente na virtualidade e não em número X de salas de cinema como era antes) poderão concorrer ao Oscar 2021. Vocês acham mesmo que depois desse precedente a Academia vai retroceder quando a Pandemia acabar? No way. O que será das salas de cinema? Qual será o preço dos ingressos quando IR ATÉ o cinema for um gande evento, algo quase exótico, a chance de ver o que quer que seja que não está na Netflix? Que tipo de filme será esse? 


Curioso, curioso mesmo eu estou para saber como o Teatro se adaptará a mais essa avalanche. O rádio chegou, o Cinema chegou, a TV chegou, a Internet chegou, o Smartphone e tablets chegaram, e em todas essas ondas se apregoou o fim do Teatro. Ele veio - aos trancos e barrancos - resistindo, mas como fazer o Teatro (que depende da presença física e local para que se estabeleça a comunicação necessária a esse tipo de expressão artística) sem o público, sem estarmos todos no mesmo local, na mesma hora? Como todos que fazem teatro sabem, peças filmadas não é do agrado da maioria do público: Como se dará então essa transição "da magia do palco" para a tela? Como diferenciar uma peça de teatro transmitida em uma Live de um Documentário ou um filme (já que utilizamos os recursos técnicos inerentes a essas últimas formas de expressão, mas desprezados no Teatro)?


A maneira de fazer Arte irá mudar. A maneira de expressar a Arte JÁ mudou.


Está preparado(a)?


#quarentena #quarantine #socialdistancing #arte #teatro #cinema #musica #sociologia #filosofia #stayhome









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Miguel Falabella

Autor, Ator, Diretor e Roteirista

"Moura é extremamente profissional e um

autor de sucesso na cena do Rio. É um

prazer e uma alegria recomendá-lo"

Lionel Fischer

Critico Teatral

"Caesar escreve personagens

fortes e diálogos excelentes"

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Ruy Póvoas


"O texto de Caesar é feito como quem

tem os terminais nervosos da alma

expostos na própria pele"

Academia de Letras da Bahia

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Content: Copyright © 2020 Caesar Moura, its suppliers or licensors. All rights reserved. Todos os direitos reservados.

Fotos: Lewis, C. Moura. Todos os direitos reservados.

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