• Caesar Moura

"NÃO SEI QUEM SOU, SÓ SEI DO QUE NÃO GOSTO"

Atualizado: 17 de Nov de 2019

Que geração é essa entre um mundo offline que não existe mais e um outro online que ainda está decidindo se precisa de você?



Durante os primeiros 35 anos da minha vida realmente acreditei que sabia o que fazia, pior: Eu acreditava mesmo que sabia alguma coisa sobre a vida (e olha que, veja bem, eu não falei que achava que sabia assim de tuuuuuuuudo, mas alguma coisa: Imagina minha cara de imbecil quando descobri a verdade?)


Hoje eu simplesmente descobrir que não faço a mínima sobre coisa alguma e que viver - pra mim - no fim das contas seja isso: Caminhar no escuro sem fazer a menor idéia de onde se está ou pra onde se está indo, mas com absoluta e inacreditável certeza de que no fim, o destino final se fará *achável*.


Cresci num mundo com telefone, computador, games, HQs, "Meninos não brincam com meninas", filme de Super-Herói milionário uma vez na vida e outra na morte, *viado*, *sapatão*, *macaco*, *judeu desgraçado*, o fim da Era Reagan, das *Diretas Já*, da Xuxa apresentando programa infantil (e não "aquela que tá saindo com o Pelé..."), um mundo onde os dias do Muro de Berlim estavam contados (e eu nem podia imaginar!)


Mas também cresci num mundo sem muro (de Berlim), com celular (tivemos 01, sim, no singular, naquela época cada família, QUANDO PODIA, tinha 01), vi a morte do ICQ e a vida e morte do MSN, me despedi do Orkut e deletei meu Facebook for Life, participei das primeiras salas de bate-papo da UOL (beeeeeem mais divertidas que o Grindr!) e não posso ver um App novo q já quero testar (geralmente para falar mal), um mundo que parece SÓ ter filmes de Super-heróis, onde surgiram as siglas GLS, LGBT (Desculpa, mas parei de acompanhar em LGBTQ+), onde gays podem casar e adotar seus filhos, um mundo praticamente sem Xuxa, momentaneamente "reinado* por Trump, em um Brasil onde operário eleito democraticamente é acusado de crimes contra a nação e - esperamos! - momentaneamente o Brasil é presidido por um elemento ligado ao tráfico de drogas, assassinato e promoção de ideias anti Direitos Civis de qualquer "minoria".


Que geração é essa? Essa geração entre o fim de uma Era offline e o começo de uma online, que se delicia com a promíscuidade sexual (anárquica, perigosa, prazerosa, um quarto cheio de gente) rebatizada pelos acadêmico por "liberação", "fluidez sexual", mas ainda não sabe lidar com essa indiferença (gentilmente rebatizada por aqueles mesmos acadêmicos que citei a pouco de "desapego") dos Millennials, que juram diante do espelho que estão tão prontos para a solidão quanto um jovem de 19 anos (que nasceu num mundo onde a única realidade já era a digital, a online) está, mas odeiam ficar consigo mesmos (nos fins de semana então...). Que geração é essa? Que achava bebida "coisa de que minha mãe nem pode sonhar que faço" ou "coisa que jurei pra minha mulher que parei, mas não*, e que hoje foi rebatizado de *Desculpa, mas com a vida do jeito que tá, sem minha cerveja - maconha, cocaína, crack, ecstasy, Special K, Ritalina, pirocada - eu piro". Que geração é essa?


Me sinto numa música da Brithey ("I'm not a girl but not yet a woman" - Try not laught on this part) e isso segundo as regras desse mundo que vivo desde de minha adolescência, quando, segundo as regras do mundo em que vivi toda minha infância até aqui, eu deveria estar mais pra Whitney (Deus a tenha!): "It's not Right, but it's okay".


Que geração é essa?!


Acho que é isso que decidi fazer aqui, descobrir que geração é essa afinal e da qual faço parte (Tem mais alguém aqui?), essa geração in between, entre um mundo que não existe mais e um outro que ainda está decidindo se precisa de você.


Meu primeiro blog foi há mais de 17 anos. Algumas vezes me pegava pensando em que ponto - o porquê eu sei - decidi apagar tudo, decidi que já não era um espaço onde eu deveria estar. Imagina ser um desses blogs que estão entre nós a décadas? Seja como for esse questionamento trivial hoje não faz o menor sentido. Perdi minha mãe fazem 8 meses agora. Nunca tive medo de câncer ou AIDS pq no fim achava q passaria por isso tudo com minha mãe. Egoísta eu sei (um egoísta reconhece outro, Right? Rs). Então no fim o maior medo que eu tinha no mundo era perder a minha mãe.


O pior aconteceu. What now? Como um bom escritor sigo num misto de profunda indignação, desinteresse dissimulado e (uma irresistível) curiosidade.


Acho que é isso. Mesmo que o primeiro blog tivesse resistido até aqui seria impossível para mim seguir qualquer que fosse a linha de pensamento que eu estaria seguindo porque quando se perde uma Mãe (e eu tive um MÃE!) ou a pessoa que você mais ama no mundo fica IMPOSSÍVEL seguir se não for se reinventando, se transformando numa outra coisa, numa outra pessoa, uma pessoa pronta para um NOVO mundo.


Acho que é isso.


Que seja infinito enquanto dure!


XoXo

Gossip... MENTIRA!Rs

Xoxo

Caesar


#introduction #apresentacao #pessoal #diary #deardiary #stripped #real #likeitornot

4 visualizações
  • White Instagram Icon
  • White Facebook Icon
  • White Tumblr Icon
  • White Amazon Icon
  • White Vimeo Icon
  • White YouTube Icon
  • White LinkedIn Icon
  • White Twitter Icon

Miguel Falabella

Autor, Ator, Diretor e Roteirista

"Moura é extremamente profissional e um

autor de sucesso na cena do Rio. É um

prazer e uma alegria recomendá-lo"

Lionel Fischer

Critico Teatral

"Caesar escreve personagens

fortes e diálogos excelentes"

logo-filmfreeway-512.png

Ruy Póvoas


"O texto de Caesar é feito como quem

tem os terminais nervosos da alma

expostos na própria pele"

Academia de Letras da Bahia

Software and Design: Copyright © 2010/2020 CM Group, Inc., its suppliers or licensors. All rights reserved.

Content: Copyright © 2020 Caesar Moura, its suppliers or licensors. All rights reserved. Todos os direitos reservados.

Fotos: Lewis, C. Moura. Todos os direitos reservados.

  • Blogger - Black Circle
  • Instagram - Black Circle
  • Twitter - Black Circle
  • LinkedIn - Black Circle
  • Amazon - Black Circle
  • Vimeo - Black Circle
  • YouTube - Black Circle