• Caesar Moura

PARA TRISTEZA DE HONÓRIO

“Anitta: Made In Honório” (2020, Netflix), segunda parte da série documental iniciada com “Vai Anitta” (2018) é - pelos motivos errados! - uma surpresa. Enquanto na primeira temporada temos uma “Anitta pra gringo ver” (na melhor linha “quem não te conhece que te compre”), a segunda leva nos traz uma “Anitta raiz”, da época da Furacão 2000, e também seu lado “empresarial”. Mesmo visivelmente inspirado no clássico “Na Cama com Madonna” (De 1991 e que apresentava uma popstar autoral, dona de sua própria carreira, mas nunca abusiva com seu staff), dessa vez a Anitta - de Honório - deu um tiro no próprio pé.


Como nem Anitta parece ter uma relação artístico/criadora com sua própria produção musical, não será eu a levá-la a sério como artista, mas nos quesitos produtora e empresária nunca tive vergonha de elogiá-la publicamente: Eu achava a Anitta FODA. Sendo uma bicha pobre da Praça Seca (bairro da zona oeste do Rio) levantando sozinho meus espetáculos e produções para os melhores teatros do Rio de Janeiro sei bem o quanto pessoas com eu - e Anitta - temos que nos impor 10x mais que um homem branco e de olhos azuis da zona sul da cidade: A sociedade carioca conta com que esse branco seja o patrão e eu o empregado, jamais o contrário. Mas depois desse Doc nem isso mais tem como elogiar: Anitta é autoritária, controladora, vulgar, mal-educada e mesquinha. E não, abuso de autoridade não é empoderamento feminino.


Foto: Divulgação


No doc que se propunha a mostrar o lado empresária/empreendedora de Anitta ao mesmo tempo em que a mostraria como “The Boss” (persona que os americanos amam, mas quando vindo de um artista genial e extremamente lucrativo, não de quem eles olham como uma “cucaracha” do Brasil de Bolsonaro), disciplinada e multitalentosa, no fim mostra uma Anitta insuportável que resolve aos gritos (e opressão física quando fecha os lábios de um maquiador com as próprias mãos em um dos momentos mais impactantes e desagradáveis do documentário) questões trabalhistas, que oprime a equipe e a família (principalmente a mãe de quem parece ter uma aversão, como se a mãe - de temperamento mais passivo - fosse um exemplo a não ser seguido) exigindo 100% de atenção das pessoas das quais ela paga os boletos, confundindo autenticidade com a mais completa falta de educação e vulgaridade ao falar de qualquer jeito na frente dos mais velhos. Usando o novo doc da Ariana Grande (leia resenha completa aqui) por exemplo, vemos Ariana abraçando calorosamente sua mãe enquanto Anitta enche os ouvidos da sua logo cedo dizendo - em tom divertidamente decepcionado - que não tinha "dado na noite anterior". Tudo isso maquiado de "empodermento feminino". Mas foi só vulgaridade e falta de respeito mesmo.


Eis o tiro que o Doc dá no próprio pé: Ao tentar vender Anitta para os EUA de Biden (um país totalmente voltado para si mesmo nesse momento) como “uma puta empreendedora, autoritária porém brilhante”, o doc dirigido por Andrucha fracassa redondamente e pior, revela o que nenhum doc biográfico jamais deveria revelar: que tipo de ser humano existe por trás da persona pública. E Anitta é podre. Que pena!


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Miguel Falabella

Autor, Ator, Diretor e Roteirista

"Moura é extremamente profissional e um

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prazer e uma alegria recomendá-lo"

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Critico Teatral

"Caesar escreve personagens

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