QUANDO O AMOR É O GRANDE MONSTRO DA HISTÓRIA
- Moura Cesar

- há 7 horas
- 2 min de leitura
"Obsessão" (Obsession, 2025) nos leva a alguns erros de interpretação sérios (e ótimos!): Primeiro, o filme não fala de desejo ou felicidade, mas de amor, de uma forma que nós só vimos em "Atração Fatal" (Fatal Attraction, 1987), esse sim, um filme sobre desejo psicótico. E em segundo: Não, Bear não é a vítima da história, mas Nikki.
No seu segundo filme, o You Tuber alçado a grande cineasta, Curry Barker de 26 anos, conta a história clássica dos anos 1980 sobre o jovem romântico e híper tímido - Bear, interpretado por Michael Johnston que cumpre muito bem seu papel - que deseja viver uma grande história de amor com uma garota bem mais bonita e descolada que ele, Nikki, interpretada pela excelente Inde Navarrette. E claro, na melhor linha Gary e Waytt de "Mulher Nota 1000" (Weird Science, 1985) ele está disposto a se lançar em qualquer loucura para realizar seu sonho, isso incluí comprar um amuleto sobrenatural numa loja da esquina. Bear faz o único pedido permitido ao quebrar o amuleto: Que Nikki o ame mais que tudo. E o amuleto realiza. E é aí que começa o calvário de Bear, mas não se engane, quem sofre mesmo é a Nikki que volta e meia tenta sair do "transe", mas não consegue.A única chance de Bear quebrar o feitiço? Só assistindo para saber. :)

Filmado com cerca de 750 mil dólares e arrecadando até o momento 403 Milhões, o filme alçou Inde Navarrette ao estrelado e colocou Barker como a mais nova promessa de Hollywood recebendo as bençãos de ninguém menos que Spilberg e Coppola.Hollywood já conta com que o cineasta seja a nova galinha de ouro pelos próximos 50 anos. E é muito pelos números que as pessoas tem corrido para ver o filme: O que esse filme tem afinal? Mas não me interprete mal, isso não significa que o filme seja ruim. Ao contrário de outro fenômeno cinematográfico contemporâneo, "Backrooms"(2026) que custou 10x mais que "Obsessão" e foi dirigido por alguém ainda mais jovem, Kane Parsons (21), o filme de Barker não é pretensioso, mas cinema em seu estado mais puro, "simples", direto ao ponto e, em alguns momentos, terno. O filme é bom!
Mas a maior subversão de "Obsessão" não são os números da arrecadação (deixo isso para os produtores e executivos sem alma de Hollywood! Rs), mas uma subversão curiosa que o filme propôe: Amar alguém acima de tudo, amar demais, conceitos que até o fim do século XX eram nobres, hoje, significam estar, literalmente, dentro de um verdadeiro filme de terror. E se tem algo mais Geração Z que isso, eu desconheço.





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