• Caesar Moura

QUER ACABAR COM A FESTA DA FANTASIA? CONVIDE A REALIDADE

Atualizado: 17 de Nov de 2019

Não bastasse a tecnologia alterar completamente a forma de nos relacionarmos (como se fossemos todos figuras jurídicas e "formadoras de opinião" #sqn) como seres humanos no mundo moderno, agora ela também interfere (e muda de forma irreversível) a maneira de apreciarmos a ficção!



A gente sempre soube diferenciar, de forma sensorial até, quando um efeito especial usado nos filmes ou séries eram bons ou não. Quando eram muito ruins, chamávamos ele de "trash". E tudo bem. Hoje vemos legiões de fãs reclamarem da "fotografia escura", de que "até meu Mac Pro usaria um software melhor!"


Hoje achamos - com alguma razão - que sabemos sobre como aquelas coisas são feitas. Quem nunca olhou uma foto na internet e pensou "Nossa, Photoshop puro!"? Há até relativamente pouco tempo não tínhamos idéia do que era Photoshop (só os profissionais da área de criação) e muito menos dos milagres (virtuais!) que é capaz de fazer. Hoje muitos de nós olha para uma cena da Season 8 de Game of Thrones e posta: "Até meu irmão de 5 anos faz melhor no Sony Vegas...". O conhecimento (ou simples contato com) da técnica desnudou a ficção(!).


Sabe aquela sensação de espanto e fascínio ao ver as bicicletas escaparem voando de uma perseguição policial (umas das muitas cenas antológicas de E.T- O extraterrestre), de ficar se perguntando "Como eles fizeram isso?"? Existe uma geração inteira que nunca soube ou saberá o que é. Já nasceram num mundo desnudo pela técnica, já nasceram sabendo o "segredo do mágico", do voo dos bailarinos - "Tô vendo os cabos!"- em espetáculo da Broadway.


Nunca a Arte, principalmente a audiovisual (filmes, séries, novelas, Instalações, conteúdo online, etc), precisou tanto do escândalo, da gritaria, da extravagância. Os millennials - por acharem que conhecem a técnica - acreditam que a ficção (até a naturalista!) para ser ficção tem que ter tudo que um game tem (a ficção para o millennial é gráfica, cartunesca, surrealista, exagerada, aquilo que naturaliza tudo que é absurdo, infame, polêmico, promíscuo, mesquinho, ser mal é ser divertido seja o fim que se tenha, o apocalipse não assusta pq no fim os Vingadores aparecem e conseguiremos no reerguer das cinzas: A geração do No Drama (E infelizmente isso nem sempre é bom. A geração que cresceu num cenário pós-guerra pode nos dizer com propriedade sobre o risco de darmos as coisas por certas, estáveis, por estarmos vendo o "despertar" de uma geração - com exceções, claro! - de desatentos).


De repente tentar ficcionar a realidade virou coisa entediante, absurda, afinal, porque alguém iria querer ficcionar a realidade se elas podem ver "realidade ficcionada" a cada segundo nas redes sociais? Porque pagariam para assistir isso numa sala cheia de gente? Mas assistir o absurdo, algo completamente fora do senso de realidade comum (Antimatéria engolindo o universo, um Deus-Senhor-de-Todos-os-Deuses (saradíssimo, sempre!) que decide matar metade da Humanidade para "equilibrar as forças do universo", etc), ah, isso "todo mundo"quer. Se durar mais de 3 horas então (com MUITOS absurdos e efeitos milionários, please), orgasmos generalizados. Ninguém parece mais interessado num filme sobre uma mulher que sobrevive sozinha a uma tripulação enlouquecida e um Alien praticamente indestrutivo (Alien, o oitavo passageiro).


Isso virou "brincadeira de criança".


Por outro lado, parecemos só sermos capazes de lidar com a monotonia, com o cotidiano, com a realidade, se através de filtros, aplicativos que alteram a forma do corpo, a cor da pele, dos olhos, do cabelo, que criam a ilusão de se estarmos em lugar quando estamos em outro oposto: Só conseguimos suportar a realidade se ficcionando-a!


A instrumentalização da técnica básica para as classes B,C,D (através do contato muitas vezes intuitivo com as redes sociais mais populares como Facebook e Instagram no Brasil) em todo o mundo (com usuários mais avançados) mudou irreversivelmente a percepção do homem ocidental sobre a ficção. As próximas gerações talvez jamais venham a conhecer o naturalismo (ou o conceito terá se alterado tanto que o "natural" será o que é montado, construído, meio ficção)


E o que acontece com uma sociedade que naturaliza a percepção sobre a realidade como sendo ficção (glamouralizando a mediocridade da condição inerente de se ser humano e superficializando a barbárie pornográfica) e ao mesmo tempo agora digere a idéia de trazer a realidade - técnica, racional, robótica - para a ficção (o lugar da fantasia, da fuga, do delírio, da viagem)?


Só o tempo dirá.


#reality #fiction #writer #filosofia #filosofando #pensandoalto







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Miguel Falabella

Autor, Ator, Diretor e Roteirista

"Moura é extremamente profissional e um

autor de sucesso na cena do Rio. É um

prazer e uma alegria recomendá-lo"

Lionel Fischer

Critico Teatral

"Caesar escreve personagens

fortes e diálogos excelentes"

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Ruy Póvoas


"O texto de Caesar é feito como quem

tem os terminais nervosos da alma

expostos na própria pele"

Academia de Letras da Bahia

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Content: Copyright © 2020 Caesar Moura, its suppliers or licensors. All rights reserved. Todos os direitos reservados.

Fotos: Lewis, C. Moura. Todos os direitos reservados.

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