• Caesar Moura

TÃO RUIM QUE VC PRECISA VER

Atualizado: Jan 19


Sei que eu deveria falar exclusivamente de “Tiny Pretty Things” (2020) a nova série da Netflix, mas com essa produção percebi que é hora da gente falar sobre essa “velha nova” dramaturgia para o público adolescente.


Maaaaaassssss...


Para não te fazer perder a viagem e nem eu acabar com fama de que faço propaganda enganosa (Rs), vamos rapidamente à resenha sobre a série no tocante técnico: Um desastre! (Rs) A intenção de modernizar o conceito (senso comum, popular) que se tem sobre o ballet (algo belo, mas "delicado demais" para a maioria de nós acostumados com a rudeza da luta do dia-a-dia; feminino, afeminado, superficial, narcisista) afastando-o de determinados clichês. Só que escalar para isso péssimos atores e atrizes (mas assim, péssimos mesmo!) é se auto-sabotar.


Tudo é tããããão exagerado que acaba sendo tudo (até o que deveriam ser momentos dramáticos) ridículo, risível. Não, e as cenas de “sexo”? Parecem ter sido coreografadas pela Nomi de “Showgirls”! (Rs) Fake, forçado. Os casais que se formam são os mais improváveis possíveis (o que poderia ter sido usado como um ótimo recurso para discutir desconstrução de gênero, mas que simplesmente não é usado para nada! Ou seja, os Produtores de Elenco foram equivocadíssimos mesmo). Kylie Jefferson é linda e ótima bailarina, mas PÉSSIMA em atuação; Brennan Clost como "a bicha que todo

mundo quer comer" é simplesmente inaceitável, sem falar que o personagem deveria receber o Prêmio Framboesa de "Pior Figurino Gay da História da TV Moderna").


E o mais legal (de tão bizarro!): Tratar o balé como se fosse uma arte mortal, perigosa e milenar (surgiu no século XVI!) foi uma das escolhas criativas mais PATÉTICAS de todas! Mas assim, PA TÉ TI CA. Tipo, se isso tivesse sido usado como elemento para uma comédia deslavada (meio like "Jane, The Virgin") seria IN CRÍ VEL! Mas não é trabalho de quem resenha dizer como "deveria ter sido" e sim de falar sobre "como foi" e "foi uma droga".


Foto: Divulgação



Resumindo? Assista! (Hahahaha) Sério! Assista! E divirta-se (ao menos até onde sua tolerância ao constrangedor permitir).


Dito isso (ninguém pode dizer que não falei da série! Rs), é preciso ressaltar que soa bastante perturbador imaginar que 6 em 10 produções para adolescentes faça a linha “matamos um colega na balada, mas vida que segue”.


(Oi?)


Até 10 anos atrás os maiores obstáculos enfrentados pelos adolescentes nas “produções para adolescentes” eram: A escola, os pais e CLARO, uma história de amor (quase) impossível. Agora, produções como “13 Reasons Why”, “Elite”, “As Aventuras

De Sabrina”, "How To Get Away With Murder" e a própria “Tiny Pretty Things” sugerem que o lance é: Estupro, Violência, Assassinato. Um(a) colega (ou mais) é assassinado(a) ou violentado(a) e todo mundo faz a linha “vamos esquecer isso”?


O amor, o medo de crescer deixaram de ser o suficiente.


Se extraterrestres analisassem os adolescentes humanos do mundo ocidental a partir do que vissem nas "produções para adolescentes” de hoje veriam seres divididos entre assexuados e promíscuos, ambiciosos e mártires, individualistas, materialistas, capitalistas, de baixa autoestima e amor próprio e o mais importante: capaz de qualquer coisa, qualquer coisa, inclusive matar, para satisfazer o mais fútil desejo.


Nunca o título "matei a família e fui ao cinema" fez tanto sentido.


Socorro.


#tinyprettythings #netflix #netflixbrasil #resenha #crítica #series #séries #adolescentes



3 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
  • White Instagram Icon
  • White Facebook Icon
  • White Tumblr Icon
  • White Amazon Icon
  • White Vimeo Icon
  • White YouTube Icon
  • White LinkedIn Icon
  • White Twitter Icon

Miguel Falabella

Autor, Ator, Diretor e Roteirista

"Moura é extremamente profissional e um

autor de sucesso na cena do Rio. É um

prazer e uma alegria recomendá-lo"

Lionel Fischer

Critico Teatral

"Caesar escreve personagens

fortes e diálogos excelentes"

logo-filmfreeway-512.png

Ruy Póvoas


"O texto de Caesar é feito como quem

tem os terminais nervosos da alma

expostos na própria pele"

Academia de Letras da Bahia

Software and Design: Copyright © 2010/2021 CM Group, Inc., its suppliers or licensors. All rights reserved.

Content: Copyright © 2021 Caesar Moura, its suppliers or licensors. All rights reserved. Todos os direitos reservados.

Fotos: Lewis, C. Moura. Todos os direitos reservados.

  • Blogger - Black Circle
  • Instagram - Black Circle
  • Twitter - Black Circle
  • LinkedIn - Black Circle
  • Amazon - Black Circle
  • Vimeo - Black Circle
  • YouTube - Black Circle